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O jogo dos búzios, que são um tipo de conchas do mar, é
o modo pelo qual os homens e orixás podem se comunicar.
Vindos do imenso e misterioso mar, das águas que
percorrem todo o mundo, na forma de rios, chuvas,
orvalho, nuvens os búzios trazem consigo os segredos das
águas, do céu e da terra e a energia de tudo que existe.
O jogo de búzios é uma prerrogativa do pai ou
mãe-de-santo, que são pessoas iniciadas que estudam por,
no mínimo, sete anos para receber esta prerrogativa.
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É preciso ter grande conhecimento e experiência na
religião para se jogar búzios para uma pessoa, além de
muito conhecimento dos mitos e quizilas (tabus) dos
orixás. Jogar os búzios implica conhecer, também,
centenas de fórmulas rituais (receitas de ebós) que são
capazes de solucionar os problemas apontados no jogo.
"Os
búzios são sacralizados, energizados, através
de uma cerimônia específica, chamada "dar
de comer aos búzios", e que implica em diversas
oferendas, tais como ervas especificas, a união do
mineral e não poderia deixar de ter muitas orações
a Ifá Orunmilá". Apenas os búzios
que passam por esta cerimônia são aceitos como
interlocutores dos orixás e de Ifá).
Ifá, Deus do destino pessoal de cada ser humano, é o Oráculo,
o sistema divinatório composto de diversos métodos.
Os mais conhecidos são o Opele, o Ikin e o Erindilogun
ou jogo de búzios composto de 16(dezesseis mais um
).Orunmilá é a divindade e Ifá é
o sistema onde esta divindade se manifesta. Não há
Ifá sem Orunmilá e nem Orunmilá sem
Ifá. Estes dois conceitos são tão intimamente
relacionados que muitas vezes referimo-nos a Orunmilá
como Ifá.
E
quem é Orunmilá? Orunmilá é
a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável
pela transmissão das orientações dos
deuses e de nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada
um de nós a possibilidade de uma escolha acertada
para dias melhores e com certeza para dias felizes, reencontrando
seu destino e até mesmo mudando-o conforme o livre-arbítrio.
Orunmilá,
a Testemunha do Destino e da Criação. O segundo
após Olodumaré. Aquele que estava presente,
ao lado de Deus, quando a Vida, o Mundo, o Homem foi criado.
Orunmilá tudo vê, tudo sabe, tudo conhece.
Não há nada que tenha sido criado ou que virá
a ser criado que Orunmilá não saiba antes.
Orunmilá conhece a vida e conhece a morte, ele conhece
a existência: o antes e o depois. Por isso ele pode
nos ajudar.
O
jogo de búzios e a possibilidade da visão
do sacerdote ou sacerdotisa estão diretamente ligados
ao axé equilibrado e pleno e à sensibilidade
e atitude correta de cada pai ou mãe-de-santo. É
seu axé, sua intuição e muito principalmente,
seu conhecimento dos múltiplos mitos, que permitem
interpretar as quedas dos búzios.
No
caso do jogo por odus (destinos pessoais), é preciso
conhecer os longos poemas de Ifá, que estabelecem
o contexto representado por cada queda. O jogo de búzios
é feito jogando-se 16 búzios e considerando-se
os que caem abertos e os que caem fechados.
Jogar
os búzios é conversar com Ifá Orunmilá
e os orixás. Para isso, é preciso que os caminhos
entre o ayê (terra) e orum (mundo dos orixás)
estejam em comunicação. Portanto, como se
pode ver no mito de Exu, este precisa ser chamado, pois ele
é o movimento,a ação,a comunicação,também
conhecido como ojixé ebó "aquele que
leva todas as oferendas" ou até mesmo Exu Ihoin
daa pupo "exu transportador de noticias boas".
E é necessário, ainda, fazer uma oração
saudando os orixás e os antepassados de quem se herdou
o jogo (os que transmitiram o conhecimento de geração
em geração - conhecimento é axé,
também - até o presente).
O
jogo é feito numa peneira ou sobre uma toalha onde
se colocam brajás (grossos colares de contas, feitos
em gomos, que representam a senioridade, no candomblé)
em forma de círculo, que circunscreve o campo de
jogo. Pai Celso lança os búzios tanto em cima do
Opon Ifá, (uma espécie de bandeja redonda,
feita de madeira, representativa de Ifá-Orunmilá),
como em cima de um tabuleiro coberto com um pano de cor
branca. A peneira é importante também porque,
sendo circular, constitui uma representação
plena de orum/aye (céu e terra, respectivamente)
servindo como orientação para as interpretações.
É
preciso saber como está o seu anjo da guarda, que
nada mais é do que seu orixá, seu "Deus"
interno.
Para que você possa saber o porque dos porquês, basta
apenas você ligar para o Pai Celso de Oxalá, e marcar a
sua consulta "olho a olho". |